segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mudar...o quanto custa...

Mais um teste que a vida me propõe.
Porque é que crescer é tão complicado? Mesmo quando é de forma positiva?
A mudança é algo que sempre me custou muito.
Ainda me lembro do início da escola. Da primeira classe. Foi o meu primeiro drama. Habituada a um dia-a-dia e, de repente, tudo muda.
Aquele friozinho na barriga sempre que tinha de ir…
Durante a minha vida, sempre que tenho “um primeiro dia” de qualquer coisa, custa-me imenso. Não deixo de pensar no que era antes e no que é agora.
Comparações, vantagens, desvantagens, ilusões, interrogações.
As decisões são o meu maior obstáculo.
A verdade é que tenho conseguido ultrapassar os que me vão surgindo.
Com o tempo tudo normaliza. O hábito toma conta de mim. Tudo se encaminha.
Mas é estranho. Sinto-me diferente. Acho que os outros não são como eu.
Neste momento, estou de novo em mudança.
Numa mudança boa. Mesmo assim, não consigo deixar de pensar no que deixei, nos momentos que nunca mais vão acontecer, nos gestos que não terei, naquelas horas, naqueles sítios, as conversas que não serão mais da mesma forma.
Talvez por isso, nem tenho pensado muito quando a fazer. Estava decidido e fiz. Sem marcar dia, nem hora, senão seria um suplício para mim.
Apesar de mais velha, continuo a mesma.
Aquele friozinho continua lá, no fundo da minha barriga, a latejar, pronto a funcionar.
É mais um passo.
A diferença é que na primeira classe apertava a mão do pai e da mãe com força e estava segura.
Hoje, caminho sozinha. As mãos não estão lá, mas é como se estivessem.
Sempre presentes.
É o meu consolo.
O meu porto de abrigo está sempre lá.

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